sábado, 4 de fevereiro de 2012

Saudades

Saudades do que um dia eu fui. Quando garoto, jogava as famosas peladas entre os bairros Lambari e Nova Santa Maria. Quase um proprietário, era o capitão-técnico do Lambari, local onde morei. A rivalidade com a região vizinha existia somente dentro das quatro linhas. Era amigo de todos que chutavam aquela bola surrada.

Saudades da Ki-Chute preta com cadarço enorme. Minha estratégia para amarrar era dar duas voltas por baixo do tênis. Meu meião ficava quase sobre o joelho e o shorts tinha que ser pequeno, bem naquele estilão dos craques do início da década de 1990.

Saudades das aulas chatas da terceira série. Quando acabava o martírio, ia pra casa almoçava e me preparava para o treino – entenda-se dormia. Pegava a Monarke da minha mãe e me dirigia ao campo do SMEC. Era um ponta-direita. Jogávamos no 4-3-3. Eu pouco pegava na bola, pra falar a verdade. Gostava mesmo era de bater escanteios e faltas. Sentia-me o dono do jogo, nem que fosse por segundos. Talvez fosse o que fizesse de melhor (me sentir o dono do jogo, claro, porque nem levantar uma bola na área dignamente eu conseguia). Desfrutava também da sensação de ver as meninas nas grades observando. Achava que elas estavam me perseguindo com os olhos, embora não tivesse coragem de cortejá-las.

Saudades do meu avô Betico, incentivador no esporte e melhor amigo, ao lado do meu pai. Vovô foi o responsável direto de todos os meus 15 times de futebol de botão. Ele arcava com os custos. Na época, acho que meu maior investimento foi na aquisição do Liverpool. Provavelmente, uns cinquenta centavos ou cruzeiro, não me lembro ao certo. O que sei é que venci todos os quatro campeonatos de futebol de botão. Além de organizador, era o árbitro das partidas, inclusive das minhas - que Deus me perdoe se tiver me favorecido, era apenas uma criança.

Saudades de ir ao Bar do Bruno ver todos os jogos da honrosa campanha do vice-campeonato de 1998. Era o único garoto. Lembro que Bruno, o dono do bar, arrecadava uma grana com os clientes, ligava para a SKY e comprava a partida. Eu não pagava e confesso que ficava envergonhado de não poder ajudar. Também não consumia nada no bar, tudo era caro para minhas pobres moedinhas.

Saudades de ir para a roça. Comia doce-de-leite à vontade. Esbaldava-me com o frango com quiabo e angu da minha avó. Fora as comilanças, gostava de andar a cavalo o dia inteiro. Mesmo se estivesse fazendo 40 graus, ao meio-dia, com o pangaré mortinho da silva, lá estava eu animadíssimo guiando de um lado para o outro. Das pescarias, eu não tenho saudades. Tinha que ficar caladinho, e não podia reclamar sequer dos mosquitos me devorando. Fora os peixes que nunca fisgavam a isca.

Saudades de tempos que não voltam mais. E, desde já, saudades de escrever sobre esporte neste blog. Encerro, com saudades, este espaço.

PS: Nenhum tipo de passeata ou movimento público me fará voltar a escrever aqui. Não adianta mandar e-mail dizendo que cortará os pulsos ou, tão pior quanto, aderir a um novo penteado inspirado no moicano de Neymar, nada disso surtirá efeito.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Casamento

Otávio nasceu em uma família de esportistas. O pai foi jogador de vôlei e depois da aposentadoria virou professor de educação física. A mãe - belíssima por sinal - era nadadora. A influência genealógica direcionou o garoto para o inevitável gosto pelo desporto. Começou nas piscinas, passou pelas quadras e terminou nos gramados.

Aos 21 anos, Otávio não conseguiu se firmar nas categorias de base do Atlético. Rodou por alguns clubes do interior mineiro sem sucesso. Como não tinha saco para os livros, montou seu próprio negócio com a ajuda dos pais e da futura esposa, Mariana, com quem namorou desde os 15 anos.

Assíduo telespectador dos mais diversos programas esportivos, Otávio era capaz de passar dias em frente ao monitor de 42 polegadas assistindo a qualquer esporte, de rugby à nascar americana. Casado, não largou o hábito. Mariana gostava de aproveitar as folgas aos domingos para passear com os cachorros em um parque próximo de casa e ir ao cinema ver o novo lançamento do espanhol Almodóvar ou uma película do argentino Campanella. Contudo, não contava com a companhia do companheiro.

Pela manhã, a desculpa era a Fórmula 1: “Hoje, o Rubinho pode ser campeão mundial. Dá para acreditar?!”. Na hora do almoço, era o jogo do Liverpool: “Gerrard volta de contusão pela décima vez na temporada. Não posso perder!”. À tarde, a pelada entre Cruzeiro e Atlético: “Sei que o Galo vai levar mais uma surra, mas temos que lutar, lutar, lutar, com toda raça e orgulho para vencer”. Até o Patriots era mais interessante: “Agora, tem o Sunday Night Football, amor. Deixa para a próxima”.

Mariana sentia-se cada vez mais solitária. Otávio, que já pesava uns 110 kg, viva com a bunda sobre a cadeira reclinável comprada exclusivamente para apreciar a programação esportiva. Frustrada pelo casamento, Mariana resolveu desabafar com o marido. Aos prantos, em frente à TV, disse que não aguentava mais esse relacionamento desastroso. “Qualquer partida de tênis de mesa entre um norte-coreano e um chinês é mais importante para você do que eu”, estourou e saiu correndo desamparada.

Otávio olhou rapidamente para a televisão, viu que a sensação do tênis de mesa o norte-coreano Chun Lee estava vencendo o chinês Tao Ming e mandou uma declaração. “Amor, vou colocar o jogo para gravar. Espera ai porque eu te amo. Não vivo sem você. Vamos conversar”, disse enquanto programava a televisão e ajeitava as sandálias nos pés.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Efeito Guardiola

A bola corre de pé em pé. Em grande parte do cortejo, eles têm o domínio – do objeto esférico e do confronto.

Guardiola conseguiu potencializar o desempenho de cada atleta em particular. Messi não tem o mesmo brilho fora do clube catalão; Xavi e Iniesta só são completos com a camisa azul-grená; Sérgio Busquets, de mediano em qualquer equipe, torna-se o melhor médio-volante do mundo.

Isso sem falar nas atuações de destaques de Piqué, que há três temporadas era apenas um reserva insignificante no Manchester United; Fàbregas, que deu outra cara ao time; Daniel Alves e todos, sim, todos os outros.

Contudo, o mais incrível é que o todo ainda consegue ser maior que a soma das partes. O Barcelona, às vezes, parece ser um organismo vivo. Sai jogador,entra jogador, o time muda o jeito de jogar, mas não perde a essência, marcada pela dicotomia posse de bola e beleza plástica.

A soberania do Barça não se explica somente pelas variáveis táticas e técnicas. É muito maior do que isso.

Guardiola faz parte de um grupo de intelectuais que se reúnem com certa frequência na Espanha. Entre os frequentadores destes bate-papos está uma das referências na literatura espanhola Enrique Vila-Matas.

O conhecimento teórico que Guardiola adquiriu nas demais áreas do conhecimento, muito em função do seu largo escopo cultural, é utilizado com louvor em sua filosofia implantada nas quatro linhas. O técnico de Santpedor ainda dá seus primeiros passos. A revolução está por vir.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sonhos Perdidos

Ademar era um dos rapazes mais responsáveis e trabalhadores de todo o Rio de Janeiro, diziam os amigos. Queria ter vida boa e dar merecido descanso à mãe, que o criara mais outros quatro irmãos. Da infância, além da vida dura, guardava um desgosto profundo: viu o pai fugir de casa, acompanhado de uma rapariga, levando todas as economias da mãe, deixando-os à mingua. A despeito de ser o filho mais velho, na época, Ademar tinha apenas sete anos.

Seu Antônio, pai de Ademar, era alcóolatra e fumante inveterado. Às vezes, fazia uns bicos como pedreiro, mas não gostava de trabalhar. O que desempenhava com gosto era a busca constante por novas namorada. Traia a mulher sistematicamente. Como se não bastasse, quando chegava alcoolizado em casa, agredia a esposa e os filhos. Não era bem quisto pela vizinhança.

É certo que o ‘sumiço’ de seu Antônio serviu para unir ainda mais a família. Se nos primeiros meses dona Matilde ainda lamentava a perda do companheiro, com o passar dos anos ela compreendeu que a felicidade plena estava longe daquele carrasco transvestido de marido.

Com muitas dívidas e cinco filhos pequenos, Matilde começou a trabalhar em dois horários como diarista e deixava Ademar responsável pelos outros irmãos. Esperto, Ademar ainda tirava tempo para estudar. Sonhava em ser professor de educação física, uma vez que os planos de ser um grande artilheiro estavam fora de cogitação por ter dificuldade de locomoção com uma das pernas, fruto de um acidente causado pelas bebedeiras homéricas do pai.

Já crescido, aos 21 anos, começou a trabalhar como motoboy. Fazia entrega de pizzas na região da Barra da Tijuca, bairro nobre do Rio de Janeiro. O dinheiro era suficiente para ajudar em casa, mas impossível para concretizar o desejo do diploma universitário. Sua família ainda levava uma vida muito custosa.

Ademar era conhecido no bairro, também, por ter um largo conhecimento sobre esquemas táticos. Acompanhava os jogos que passavam na TV e não perdia um cortejo do Bangu, seu clube de coração. O alvirrubro passava por uma das piores crises da história, estava disputando a terceira divisão do Campeonato Estadual. Falida e sem patrocínio, a tradicional agremiação carioca ficou um ano sem atividades. Uma chapa formada por alguns conhecidos de Ademar conseguiu assumir o comando do clube. A ideia era reestruturar o Bangu com muita criatividade e pouco dinheiro. Em função disso, surpreendentemente, Ademar foi convidado a assumir o comando técnico do time.

O convite, que inicialmente gerou certa incredulidade, foi aceito. Nova rotina: treinos no período matutino e jogos aos domingos, além, claro, das pizzas à noite. Ademar formou sua comissão técnica e encontrou alguns jovens promissores nos campos de várzeas daquelas bandas. Montou um time equilibrado, sem muito brilho. Seu grande mérito foi definir um esquema que encaixasse com o grupo de jogadores que tinha a disposição. O moderno e usual 4-2-3-1 caiu como uma luva. Sem dificuldades, logrou a taça da Série C do Rio de Janeiro.

Ademar tinha os pés no chão. Continuou levando a mesma vida de sempre. Sistemático, seis meses antes da disputa da segunda divisão já estava com o elenco fechado. Não instituiu nenhum método que revolucionasse o futebol, mas desempenhava com muita altivez o papel de líder. Era respeitado e, sobretudo, admirado pelos comandados.

Mesmo sendo mais competitiva, a Segundona foi presa fácil para o Bangu, que ergueu a taça de forma invicta. O ponto alto da equipe era o inexpugnável setor defensivo. Não foi vazado durante os doze jogos. Ademar ganhou o apelido de português, em referência a José Mourinho, técnico do Real Madrid. No dia da decisão, contra o Volta Redonda, acertou um bom contrato com o Goiás por um ano. Assim, poderia dar à mãe uma vida digna e tranquila – o mais importante para ele naquele momento.

Ao chegar em casa, para comemorar com a mãe, que não gostava de ir aos estádios por causa da violência, encontrou Matilde no chão, com o rosto desfigurado. Descobriu, por meio dos vizinhos, que o pai havia voltado, roubado um dinheiro e a agredido. Foi ao boteco mais próximo de casa, onde o pai costumava frequentar. Consternado, agrediu o bêbado com pauladas violentas. Ademar foi preso e condenado a longos invernos na cadeia. Perdeu o pai, perdeu a mãe e perdeu os sonhos.


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Linhagem Real

Em 2001, acompanhando os pais, Leo desembarcava na cidade espanhola de Lérida, na Catalunha. A Argentina, país natal do garoto de 13 anos, vivia uma grave crise econômica, e seus familiares resolveram tentar a vida na ainda estável Europa. Leo, que sofria de distúrbios ósseos, tinha biótipo mirrado. Mesmo fora dos padrões físicos para o futebol moderno, com 1,45 metro de estatura e 47 kg, o argentino de Rosário saltou aos olhos do treinador infantil do Barcelona ao ter desempenho irretocável durante um teste no clube. Os dirigentes, impressionados com sua técnica, decidiram contratá-lo, custeando seus familiares na Espanha e o tratamento para seus problemas de desenvolvimento corporal. Pele branca e cabelo sobre os olhos, lá se foi Leo ingressar nas canteiras de La Masia.





Hoje, aos 24 anos recém completados (24 de julho), o carinhoso apelido de infância ficou no passado. Leo agora assina suas geniais jogadas como Lionel Messi. O melhor do mundo em 2009 e 2010 já é considerado o maior craque de sua geração. E os números corroboram sua grandeza. Messi é o jogador que mais títulos conquistou na história do futebol em pouco tempo de carreira. Até os 23 anos, contabilizados todos os troféus por clubes, o atleta do Barcelona detém 15 conquistas, figurando à frente, inclusive, de imortais da bola como Pelé, com 13, Cruyff, com oito, e Maradona, quatro.






Quando o assunto é bola na rede, suas marcas também impressionam. Mesmo não sendo um típico centroavante, Messi possui média de 0,68 gol por partida com a camisa azul-grená. Número significativo se comparado aos dígitos de goleadores, como Del Piero, 0,43 gol por jogo, Raúl Gonzáles, 0,42, e até do maior artilheiro de todas as Copas, Ronaldo, que também marcava 0,68 a cada cortejo.






Analisando o recheado currículo e levando em consideração sua jovialidade, levantamos a questão: será que Messi poderá destronar o rei do futebol, o melhor atleta do século 20? As opiniões entre os analistas esportivos, por incrível que pareça, se divergem.






O comentarista da Rádio Globo São Paulo Marcelo Bechler avalia ser quase humanamente impossível repetir os feitos de Pelé. “Acredito que Messi não deva superá-lo. Por mais que sejam apenas sete jogos (eram seis na época de Pelé e Maradona) em um intervalo de quatro anos, o desempenho no Mundial faz a diferença na hora de colocar um lugar na história. Tudo que acontece em Copa do Mundo é superlativizado. E até seu desempenho no clube tende a cair. Talvez não agora, mas dentro de três, quatro ou cinco anos. Penso que as duas ou três últimas temporadas de Messi são do mesmo nível de Pelé ou qualquer outro grande. O problema é que Messi é um alienígena há dois anos. Pelé foi por 15”, confronta.






Indo na contramão do pensamento vigente, o editor do blog “Futebol Argentino” do site “globoesporte.com”, Renato Zanata Arnos, pondera que caso Messi consiga jogar em alto nível por mais pelo menos oito anos, poderia sim sobrepujar o tricampeão mundial. "Acho que ele pode superar Pelé pelo simples fato da sua carreira ainda está longe do término. Neste ano, Messi terá novas oportunidades de participar de campanhas vitoriosas e conquistar o título de campeão intercontinental e da Copa América. E tudo indica que ele deverá ser eleito pela terceira vez o melhor jogador do mundo. Sem falar em futuras finais de Champions League, que o time do Barcelona provavelmente disputará, e em duas Copas do Mundo, que ele poderá disputar em ótimas condições físicas e técnicas”, avalia.






Além dos excepcionais atributos futebolísticos - visão de jogo, condução de bola, finalização, velocidade, entre tantos outros -, muito do sucesso alcançado por Messi passa pelas fantásticas apresentações do clube blaugrana. Futebol ofensivo, bonito e eficiente, capaz de cativar qualquer avesso ao esporte bretão. Tostão, ex-jogador da seleção brasileira e um dos cronistas esportivos mais respeitados do Brasil, diz que “o Barcelona reúne as principais qualidades dos grandes times do passado e do presente. Assim como o Santos de Pelé, a seleção de 70 e outras excepcionais equipes, o Barcelona, além de ter vários craques, gosta de trocar passes, ficar com a bola e tratá-la com carinho. A bola, agradecida e encantada, beija os pés de seus craques”.






O camisa 10, entretanto, ainda não conseguiu reprisar no escrete argentino suas brilhantes atuações. Nas duas últimas temporadas, 2009-2010 e 2010-2011, Messi marcou incríveis 96 gols em 108 partidas pelo Barcelona, com a camisa alviceleste, no mesmo período, em 23 cortejos apenas sete vezes as redes foram balançadas – nenhuma delas na Copa do Mundo de 2010. “O Barcelona tem um entrosamento e um estilo de jogo que favorecem bastante Messi. Na seleção, ele tem mais protagonismo e menos facilidades. A pressão também é maior para ele. De todas as formas, ele tem talento para brilhar muito na Argentina, algo que já fez em categorias de base”, esclarece o colunista de futebol internacional da “Folha de São Paulo”, Rodrigo Bueno.






Devido à formação na Espanha e o desempenho aquém do seu real potencial na seleção, a idolatria dos argentinos ao jogador de 24 anos ainda é pequena comparada a sua dimensão, sobretudo, na Europa. Para Bechler, é natural que ele não tenha o mesmo prestígio. “Os mais recentes ídolos argentinos são identificados com clubes. Palermo e Tévez com o Boca Juniors, Véron com o Estudiantes, Ortega com o River Plate. Messi foi muito novo para o Barcelona e não apareceu em nenhuma equipe argentina profissional”. Por ter sido campeão e um ídolo do popular Boca Juniors, Carlos Tévez, conhecido como “jogador do povo”, é o mais querido pela torcida e ganha notória visibilidade na imprensa. “La Pulga [apelido de Messi] e seus feitos gigantescos, conquistados em territórios internacionais, sem ter popularizado seu talento disputando campeonatos nacionais da primeira divisão do futebol argentino, são minimizados pela falta de identificação do jogador com a cultura e o cotidiano do seu país de origem, ao contrário de Tévez”, considera Arnos.






Mesmo com grandes conquistas, talvez Messi não alcance a mesma sintonia existente entre os argentinos e Maradona. O capitão e melhor jogador da Copa de 1986, além de vários filmes, livros e até igreja em sua homenagem (Igreja Maradoniana), tem um lugar especial no coração de seus compatriotas. “Maradona, por sua personalidade e seus dramas, parece se identificar mais facilmente com o povo argentino. Lionel não se comunica tão bem com boa parte da população”, analisa Bueno que está na Argentina reportando a Copa América.






Sem o marketing pessoal e a exposição às colunas sociais, Messi cultiva uma simplicidade que contrasta com sua posição de destaque, deslocando-se do famigerado boleiro de colares de ouro e baladas até o amanhecer. “O futebol é o principal atrativo dele, sem dúvida. Mas creio que sua cara e seu jeito de bom moço o ajudam. Ele parece o irmão de todo mundo, um amigo, uma pessoa confiável, simples”, explana o jornalista da “Folha”, discorrendo sobre a empatia de crianças e adolescentes do mundo todo com o atleta.






É com o mesmo jeito de garoto e com mais maturidade que Messi deverá chegar ao Brasil em 2014. Para que ele seja ainda mais produtivo, o treinador da Argentina, Sergio Batista, adotou um esquema de jogo similar ao time de Pep Guardiola. “Em relação ao seu posicionamento tático na seleção argentina, Batista deseja ver o mesmo Messi do Barcelona, atuando como um ‘falso nove’, fazendo parte de um trio de atacantes, mais por dentro do campo, vindo de trás, de frente para o gol”, explica Arnos, especialista em futebol argentino.






Carlos Gardel, Eva Perón e Diego Maradona tornaram-se divindade no imaginário cultural portenho. Enquanto isso, Messi tenta driblar a desconfiança dos seus e busca respostas que só uma Copa do Mundo é capaz de esclarecer.


Com fãs no mundo todo, Barcelona fatura sobre seu craque


Capixaba de 24 anos, Hidekazu Leal é apaixonado pelo futebol argentino e acompanha a carreira de Messi desde o título do mundial sub-20, em 2005. “Ele é gênio. Tem todas as características que um craque precisa ter”. Por causa da ligação com o futebol portenho, vários amigos o chamam de traidor. “É brincadeira. Mas já estou acostumado, não ligo. Torço para Argentina e pelo Messi porque gosto do bom futebol”, conta o membro de uma das 700 comunidades no site de relacionamento Orkut dedicadas ao craque argentino. O gol marcado contra o Getafe, em 2007, é o seu favorito. “Ele saiu do meio campo e driblou a metade do time. Gol que, por sinal, lembra o antológico tento feito por Maradona contra a Inglaterra na Copa de 1986”, diz com brilho nos olhos. (Veja os gols que são bem parecidos: http://migre.me/5976I e http://migre.me/59oNb)


Dono de várias camisas da seleção argentina e do Barcelona, Leal faz parte da legião de torcedores que passaram a consumir produtos do time espanhol. Segundo o gerente de uma das maiores lojas de produtos esportivos do Brasil Bruno Luiz Moreira a partir de 2009 as vendas dispararam. “Negociamos quase 200% a mais que nos anos anteriores”, contabiliza, afirmando que as camisas do Barcelona são as mais compradas entre os clubes internacionais. A partir do ano passado, a rede de lojas na qual Moreira trabalha também começou a comercializar agasalho, boné e shorts do Barcelona. “O futebol bem jogado e a categoria de Messi influem nessa mudança de mercado, que tende a crescer”, diz. Relatórios das empresas de material esportivo apontam o Barcelona como o terceiro clube com mais camisas vendidas no mundo, atrás apenas do Real Madri e Manchester United.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Sinal dos tempos

Aos cinco anos, Márcio já envergava a bela camisa colorada do Valeriodoce Esporte Clube. Em sua família, aquela era uma tradição cinquentenária. O avô, o pai e os tios do garoto, além de dividir o mesmo sentimento pelo clube, foram jogadores e conselheiros do VEC. Fazia sol, chuva ou ventos de minério – por sinal, isso ocorre com certa frequência -, eles estavam religiosamente presentes ao acanhado, mas simpático estádio Israel Pinheiro.

Viram vitórias heroicas sobre tradicionais clubes do futebol brasileiro como Botafogo, Cruzeiro e Atlético. Porém, também foram testemunhas oculares de humilhações históricas. Por exemplo, o rebaixamento para a terceira divisão do futebol mineiro. Isso só para citar uma, e olha que a lista é longa. Os vexames, no entanto, não alteraram a paixão da família Lage pelo VEC.

Márcio, ao oposto do clube, cresceu. Foi estudar medicina na capital mineira. Acompanhava de longe a participação do clube itabirano no Campeonato Mineiro. A ausência em alguns cortejos se tornou inevitável. Mas o afastamento, não. Levava o time no coração, confessava aos amigos. Formou e logo voltou à terra natal. Lá se casou e teve um único herdeiro, Matheus.

Matheus adorava futebol, para alívio do pai que acreditava no prosseguimento da tradição familiar. O moleque foi a dezenas de jogos do Dragão. Sinceramente, ele não achava graça nenhuma naquele campo esburacado e nem nos 22 pernas de pau que corriam desordenadamente atrás da pelota. Seu interesse pelo esporte bretão era outro. Para Matheus, nada melhor do que ligar a TV e acompanhar o espetáculo de Messi, Xavi, Iniesta e do restante da companhia azul-grená. Que Valeriodoce que nada. Tratava-se de um autêntico culé. E nem a tradição, a possibilidade de ver os jogos in loco, nem o amor pelo pai e pelo avô, nada impedi-lo-ia de torcer pelo clube catalão.

“Tudo bem, o colorado itabirano fica sendo seu segundo time”, propôs o pai.

Seguro, Matheus respondeu: “Pai, time a gente só tem um”.

É meu caro, esse é o futebol moderno. Adaptas ou perecerás!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Mais um deles

Seu nome era Antônio Aparecido - e sempre fez jus ao sobrenome. Quando garoto, era a atração naqueles felizes encontros de família. Na jovialidade, foi fundador e presidente da União pelo Esporte (UPE), uma associação de âmbito nacional que buscava maior investimento público para o esporte de baixo rendimento. Acreditava que poderia mudar o mundo pelo esporte. Tratava-se de um idealista.

Com sua atuação na UPE, ganhou destaque nacional, alcançando, anos depois, uma vaga na Câmara dos Deputados. Ficou pouco tempo. Voltou a dedicar seus dias a verdadeira paixão: o esporte. Com muito empenho, trabalho sério e uma dose de sorte, galgou até o cargo de presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Tinha interessantes planos na cabeça. Pensou em modernizar o calendário, adaptando-o ao europeu. Pensou em valorizar às series B, C e D, investindo mais dinheiro da própria instituição. Pensou que poderia transformar o futebol brasileiro em um produto mais atrativo... Mas só pensou. Esperto, percebeu que sua ousadia não era condizente com a posição cômoda dos velhos senhores feudais que estavam à frente das federações estaduais e de cargos importantes dentro da CBF.

Conhecia o mundo, sabia o quanto era perigoso cutucar uma alcateia de lobos com um cabo de vassoura. Por isso, não tomou nenhuma medida estarrecedora em seus primeiros meses de mandato. Para agir, procurou conhecê-los melhor. Almoçou, jantou, passou o final de semana e até o Natal com os “homens do esporte”. Descobriu, além de todas as falcatruas, que aqueles velhos inescrupulosos também eram boas pessoas: atenciosos, amorosos, preocupados com os filhos e netos, extremamente religiosos e caridosos. Sua mulher virou a melhor amiga das mulheres deles. Sua filha começou a namorar o filho de um deles. Ela, repentinamente, engravidou e casou. Tudo pareceu passar tão rápido quanto um piscar de olhos.

Aparecido já estava mais ligado a eles do que gostaria. Acabou se perdendo nesse novo mundo. As antigas amizades do tempo da UPE foram esquecidas, assim como os interessantes planos para o futebol brasileiro. As medidas estarrecedoras não vieram no primeiro mandato nem nos sete posteriores à frente da CBF. Pior do que ser amigo deles, Aparecido tornou-se mais um deles.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mundo dos sonhos

Em questão de segundos, ele antevia toda a jogada. Sabia exatamente o destino da pelota. Havia um magnetismo impressionante entre os dois. Ele conduzia aquele objeto esférico assim como um lorde caminhava com sua dama: pura elegância! Nem o beque mais veloz, forte e astuto conseguia separá-los. Assim ficava fácil. E pra ele realmente era. Foi artilheiro, melhor jogador e campeão de tudo o que disputou.

Era craque, rico e, como se não bastasse, bem afeiçoado - quero deixar claro que não se trata de Gerge Best, ele era melhor e mais bonito. Fez tantos gols quanto teve tantas mulheres. Casou cinco vezes. Oficialmente, teve sete filhos - os não registrados somam algo em torno de dez, acreditavam os mais otimistas. Gostava tanto de farras que virou sócio das melhores casas noturnas de Londres. Pra completar, fumava e bebia muito.

Tratava-se de outra época. O futebol não era tão físico e tático como ele é hoje. O talento sobressaia por si só. Por isso, fizera tanto sucesso quanto os Beatles; era mais querido que a rainha; e tinha o prestígio do Papa. Os fanáticos sustentavam, inclusive, que ele era maior que seu próprio clube, o Crystal Palace.

Mas a validade no futebol, assim como a verdade, é perecível. Ainda mais acompanhada de uma dose dupla de Martini, na companhia de duas vagabundas. Com apenas 27 anos, pendurou as chuteiras. Se jogasse mais alguns meses, seria o futebol que o abandonaria. No entanto, o boleiro ainda saiu por cima: foi aclamado de pé, por 90 mil torcedores, em pleno Wembley.

“Um grande craque dura o tempo do surgimento de outro. Mas sempre serei adorado”, dizia ele, com extrema segurança, acreditando ser à exceção da sua própria regra. O tempo mostrou que ele estava errado. O futebol, as mulheres, as festas... todos seguiram sem ele. Paulatinamente, o ex-craque percebeu que era apenas uma foto na parede e uma página virada de uma bela história. Hoje, ele é um velho caquético, que viveu em um mundo dos sonhos com que sonhas todas as noites.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Destino

Em sua cidade natal, Paudalho (PE), ele era rei. Melhor, tratava-se do príncipe de Capibaribe (nome do rio que corta a cidade). O apelido foi dado por um antigo locutor esportivo ao ver o garoto atuar no campeonato sub-15. Seu José era a maior autoridade futebolística da região. O velho dizia aos quatro cantos que havia visto o Brasil levantar o caneco mundial na primeira oportunidade, em 1958. Daí veio a ligação para o apelido do garoto. Didi, um dos meio campistas mais talentosos do futebol brasileiro, recebeu do jornalista Nelson Rodrigues a alcunha de Príncipe Etíope. Atento, José constatou que a elegância com que o moleque jogava lembrava a classe do atleta da seleção brasileira, por isso a homenagem.

O garoto era o quinto de uma família de sete filhos. Seu pai era pedreiro e a mãe, dona de casa. Muito pobre, o moleque não vislumbrava ter os carrões e a vida de popstar dos boleiros de hoje em dia. Consciente, ele apenas queria livrar-se da pobreza em que encontrava. O cardápio do café-da-manhã, almoço e jantar, por exemplo, era sempre o mesmo: feijão com farinha, isso quando ainda havia o que comer.

Não demorou e ele ganhou uma oportunidade em uma grande equipe do futebol nacional, o Vasco do Gama - por sinal, seu clube de coração. Logo no primeiro treino com os juniores, fez um gol e deu duas assistências para a vitória dos reservas sobre os titulares, 4 a 2. Já com o pernambucano entre os 11, aquele time amador do Vasco ganhou tudo o que disputou, do Campeonato Carioca à Taça São Paulo. E o Príncipe do Capibaribe, claro, foi o destaque em todos os torneios.

Os deuses do futebol, no entanto, não reservaram um futuro próspero dentro das quatro linhas ao garoto. No ano seguinte, ao fazer alguns exames médicos de praxe, os cardiologistas descobriram que ele tinha um problema no coração. Um mês depois, a diretoria avisou que os seus serviços não interessavam mais a equipe. Procurou, em vão, outros clubes. Chorou bastante durante seus últimos dias no Rio. Pegou o primeiro ônibus para Pernambuco e esqueceu o futebol.

domingo, 11 de julho de 2010

O futebol saiu ganhando

Com o título da Espanha, quem ganha é o futebol. Equipe que valoriza a posse de bola, não tem nenhum brucutu e, principalmente, prioriza o TALENTO em detrimento de esquemas táticos esquizofrênicos, do compromentimento acima de tudo, do amor à camisa barato e do ufanismo sem causa.

Que fique a lição: dá pra ser campeão e jogar bonito.

sábado, 22 de agosto de 2009

É agora ou nunca, Ronaldinho?

As boas atuações do brasileiro não podem ser como uma foto antiga, algo esquecido no passado.

“É agora ou nunca”. Este ultimato foi dado pelo técnico do Milan, Leonardo, na sexta feira, 21, fazendo referência que esta temporada pode ser a última grande oportunidade de Ronaldinho Gaúcho recuperar o seu futebol. E pelo visto deu certo. Na estréia do time de Milão pelo Calcio, contra o Siena, o ex melhor do mundo jogou como a tempos ele não jogava: passes milimétricos, dribles desconcertantes, chutes precisos. Ronaldinho voltou a utilizar seu extenso leque de jogadas.

O melhor em campo no jogo de hoje se movimentou muito bem e foi decisivo na vitória do clube rubro-negro ao dar uma assistência para Pato abrir o placar, ao participar ativamente do último gol, além de ter feito um gol de falta que foi bem anulado pelo árbitro da partida e, num lance que fez lembrar seus áureos tempos de Barcelona, quase anotou um belíssimo gol de bicicleta.

É demasiadamente cedo para afirmar que o segundo melhor Ronaldo brasileiro vai encantar o mundo futebolístico novamente. Foi apenas um jogo contra uma equipe medíocre e medrosa. Mas já é alguma coisa, até porque o brasileiro só atuava bem em partidas festivas, de preferência as que tinham mulher bonita e cerveja gelada após a pelada.

A mudança na forma do Milan jogar influiu bastante no rendimento do atleta de camisa 80, pelo menos na primeira partida do Calcio. Semestre passado, Kaká atuava mais a frente, exercendo a função do quarto homem de meio de campo, Seedorf também aparecia de trás, conseqüentemente, o Gaúcho acabou perdendo seu espaço e parou no banco – suas pífias atuações também colaboraram para isso. Nesta temporada, com a ausência dos dois meio-campistas e com o esquema armado por Leonardo (4-3-1-2), Ronaldinho tem a liberdade necessária para voltar a atuar bem.

O craque ainda sonha em vestir novamente a amarelinha e disputar mais uma Copa do Mundo. Para isso é preciso manter um nível elevado em suas atuações pelo clube rossoneri e ter pelo menos um pouco mais de profissionalismo, dedicar mais o seu tempo com treinamentos e descanso e evitar as constantes baladas (não podemos esquecer que jogador de futebol também deve ter seu tempo para sair, pra dançar, se divertir. Porém, tudo na vida tem sua hora certa e, assim como a diferença entre o remédio e o veneno, sua dose exata).

É agora ou nunca, Ronaldinho?

Foto: O Globo

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Dinheiro traz felicidade?

Numa sociedade capitalista como a nossa, dinheiro é tudo. Ou quase tudo. No mundo do futebol, um time rico tem uma probabilidade colossal de ser campeão comparado com um menos afortunado, principalmente no velho continente. E como a maior felicidade que um torcedor pode ter é ser campeão, podemos deduzir que, na grande maioria das vezes, dinheiro traz, sim, felicidade, pelo menos para o torcedor.

Para esta temporada, Real Madrid e Manchester City, respectivamente, foram os times que mais investiram em contratações de atletas, visando, claro, ter de volta o sorriso estampado no rosto de seus seguidores. Até porque, o ano passado foi dominado inteiramente pelos seus principais rivais, Barcelona e Manchester United. A equipe de Valdano gastou 247 milhões de Euros. Mais do que o dobro dos Citizens, que investiram pouco mais de 93 milhões.

Florentino Pérez, inspirado em sua primeira passagem pelo clube merengue, tratou logo de buscar reforços para dar início a seu projeto: montar uma equipe que possa disputar em igualdade de condições com o Barcelona e fazer do novo Real a segunda edição dos Galácticos. Os melhores e mais caros jogadores do mundo desembarcaram no aeroporto de Barajas. Além do atual melhor do mundo, Cristiano Ronaldo, chegaram Kaká – o mais eficiente -, Benzema, Xabi Alonso e outros coadjuvantes como Arbeloa e Albiol. Não podemos esquecer dos bons e essenciais boleiros que já estavam no Bernabéu: Casillas, Robben e o eterno capitão Raúl.



Dos Galácticos de 2001/02, restou apenas ele, o Highlander espanhol. Mesmo não sendo muito alardeado pela imprensa, Raúl Gonzáles pode ser fundamental neste novo time, mesmo que não seja jogando.


Pellegrini possui a melhor mão-de-obra que um técnico pode desejar. Agora, ele tem que transformar, o mais rápido possível - até porque tempo é dinheiro - um amontoado de craques em um time vitorioso, missão, digamos, complicada. Isso porque o desejo dos Merengues é repetir a façanha do Barcelona na temporada passada, conquistar o triplete (Campeonato Espanhol, Copa do Rei e Liga dos Campeões). “Quero ganhar Copa, Liga e Champions” disse o comedido Kaká ao periódico madrileno (nos dois sentidos) Marca. Com um time recheado de estrelas não é nenhum pecado pensar alto assim.

Os azuis de Manchester não tem objetivos tão audaciosos assim. Uma vaga na Champions do ano que vem e, quem sabe, uma FA Cup da vida já estão de bom tamanho. Temos que levar em conta, para fazer essa análise, que na Inglaterra existem quatro clubes grandes, e o City não faz parte deles, diferentemente da Espanha, que conta com apenas dois, Barça e Real.

O time comandado pelo contestado Mark Hughes fez boas aquisições para a nova temporada. Obteve jogadores de alto nível técnico e adaptados à Inglaterra como Téves, Touré, Adebayor e Gareth Barry. O patético décimo lugar e os 40 pontos a menos do que o United na última Premier League devem ser esquecidos. Na luta pela última vaga na Liga dos Campeões, o Citizens provavelmente duelará com o Arsenal, que terá pouquíssimas chances de sucesso no Campeonato Inglês. Este - a liga inglesa - deverá ter a disputa mais emocionante dos últimos anos, com Chelsea, Liverpool e Manchester United brigando pelo título.

Só saberemos se a montanha de dinheiro deteriorado por esses dois clubes trará felicidade ao decorrer desta temporada que se inicia. Por enquanto, devido às aquisições feitas, os torcedores são só felicidade.

Foto: madridgalacticos.com

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Nada mudou

Nem mesmo Berlusconi mudou.

Nada de novo em Milão: a soberania interista permanece a mesma das temporadas passadas. É verdade que ainda estamos na pré-temporada e campeonatos como o World Football Challenge só servem para encher os bolsos dos clubes europeus e para os treinadores conhecerem melhor o potencial de todos os jogadores do elenco. Mas o Milan, mesmo tendo atuações razoáveis no torneio, dá mostras de que não fará frente à Inter e nem a Juventus (equipe italiana que melhor se reforçou) na luta pelo scudetto.

Depois de vender seu melhor jogador, Kaká, a equipe rossoneri não soube agir no mercado - Berlusconi preferiu gastar a fortuna da venda do brasileiro com suas namoradinhas. Sem dinheiro, Leonardo, um técnico em potencial, ficou de mãos atadas. Usou a base do passado e a tão esperada renovação, que ele mesmo pregava, não vai sair da sua cabeça.

O sonho dos rubro-negros era contar com Luiz Fabiano. Mas, provavelmente, eles acordarão com Trezeguet, insatisfeito com sua condição de terceiro reserva na vecchia senhora. O francês está prestes a encerrar a carreira, por tanto não é o nome mais indicado para dar começo a um novo ciclo. Entretanto, se pensarmos na ‘situação delicada’ que vive o clube milanês - das três partidas que disputou no torneio, perdeu todas -, e que no momento mantém poucos atacantes no elenco, chegaremos à conclusão de que, em tese, a contratação dele pode, sim, ser interessante.

Sem grandes nomes na pauta de contratações e com um time bem parecido com o do semestre passado, o Milan provavelmente ocupará um papel secundário no Calcio, brigando por uma vaga na Liga dos Campeões, juntamente com a Fiorentina, Roma e Genoa.

Diferentemente do rival, a Internazionale se reforçou, e muito bem. Mourinho identificou os setores mais débeis da equipe e, inteligentemente, soube aproveitar o mercado, gastando pouco. A zaga, mesmo sendo a menos vazada da temporada passada, não inspirava confiança e dependia muito das perfeitas atuações de Júlio César. Agora, ela conta com o experiente Lúcio. Se tecnicamente ele não é brilhante, sua garra o torna indispensável a qualquer time do mundo.

Milito está jogando bem a um bom tempo. Ele teve ótima passagem pelo Zaragoza e foi um dos artilheiros do último Campeonato Italiano, pela Genoa. Como nenhum time grande insistia em vê-lo, ficou fácil para Massimo Moratti contratá-lo. Com ele, de quebra, veio o brasileiro Thiago Motta, que pode ser muito útil ao meio de campo, assim como Hleb, recém chegado de Barcelona.

A Inter acabou perdendo Ibraimovit. Como forma de pagamento, recebeu Hleb, emprestado por um ano, Eto’o e 45 milhões de Euros, pelo menos é o que informa alguns periódicos italianos. Ibra já não queria mais jogar na Itália. O Calcio era pouco para ele. Seu objetivo é ganhar a Liga dos Campeões, e lá, na Itália, esta meta era um sonho distante. Ele tratou logo de acertar com o time do momento, o Barça. Eto’o não tinha mais clima em Barcelona, seu ciclo já havia encerrado. Somando-se a isso, a postura da diretoria era clara: “temos que vender o camaronês”. Em Milão, ele poderá mostrar ao mundo que ainda é um dos melhores atacantes da Europa. A negociação acabou sendo benéfica para os quatro lados envolvidos.

A diferença entre os clubes milaneses ainda é colossal. A vitória interista (2x0), neste final de semana, serviu bem para ilustrar isso. Tudo continua como era antes. Problema dos rubro-negros.

Foto: El Pais.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Êxodo das chuteiras

Imagem de Baku, capital do Azerbaijão. Pra lá, este ano, foram transferido dois jogadores de futebol do Brasil. A realidade do futebol nem sempre é rosa

O Brasil está a cada dia mais diversificando seus produtos de exportação e também seus parceiros comerciais. No passado, o país tropical foi monocultor da cana-de-açúcar, durante boa parte dos séculos XVI e XVII, e de café, que foi a base da economia do segundo reinado. Nos dias atuais, temos uma série de produtos que são vendidos a outros países, entre eles estão os equipamentos de transporte, minério de ferro, soja, calçados, café, automóveis, peças automotivas e recentemente, a partir da década de 1980, o jogador de futebol, que se valorizou com as conquistas da seleção brasileira, conseqüentemente, ganhou o mundo e o selo de MADE IN BRAZIL se tornou garantia de qualidade.

Segundo dados da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), desde 2003, quando começou o Campeonato Brasileiro por pontos corridos, foram negociados para fora do país 6162 jogadores. Número esse maior do que a população de muitos municípios brasileiros, por exemplo.

Essa massiva saída de atletas gera sérios problemas para o futebol nacional. A mais obvia é o enfraquecimento dos clubes brasileiros. Além disso, como os jogadores são vendidos cada vez mais jovens, eles acabam por não criar uma identificação com o seu país e muito menos com a seleção brasileira. A reposição desse jogador que saiu deve vir, na maioria das vezes, da base. Então, o garoto que chega, com, por exemplo, 17 anos, já tem na cabeça o que quer: fazer história. Mas não aqui, não no Corinthians ou no Grêmio e sim no Real Madrid e no Milan. Isto causa perda da importância das nossas agremiações. Nossas crianças sonham em ser campeãs da Liga dos Campeões e nem se lembram mais dos torneios nacionais. Como disse Luxemburgo, o clube brasileiro passou a ser uma barriga de aluguel, que gesta o jogador por nove meses, ou nem isso, depois o dá para sua mãe, o clube europeu.

Ao observar a lista das transferências internacionais deste ano, notei um fato curioso: o segundo maior destino dos nossos profissionais do futebol é o Vietnã, com 34 atletas vendidos. O principal ponto de parada é o nosso antigo colonizador, Portugal, com 54 jogadores.

Além de tudo, o jogador brasileiro é um desbravador. Ele vai para os rincões mais longínquos, para os lugares mais exóticos do planeta como a Namíbia, um país pobre da África onde 15% da população é considerado soro positivo; Azerbaijão, um dos muitos países que terminam com ão e que se localiza na divisa da Europa com a Ásia, o desafio de morar lá é aprender a falar o azeri, língua oficial do país; e a Indonésia, lugar onde a natureza é exuberante, mas que seu vizinho tem grandes chances ser um homem-bomba.

Este ano, ‘apenas’ 531 craques das chuteiras partiram das terras verde-amarela. Porém, a janela de verão (levando em conta a estação européia) ainda está aberta e devemos ver esse número saltar para a casa do milhar, mesmo com toda a crise econômica que estamos vivendo. Então, boa sorte aos nossos desbravadores.

Se você quiser saber mais sobre as transferências internacionais envolvendo jogadores brasileiros que atuam no Brasil, acesse:
http://www.cbf.com.br/php/transferencias.php.

Foto: http://www.cia.gov/

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Sedentos pelo título

"É teu passado alvi-rubro motivo de festas em nossos corações"


Mais de um quarto do Campeonato Brasileiro já foi disputado, 10 jogos num total de 38. Agora, os clubes estão unicamente voltados ao torneio nacional, a exceção a essa regra é o Cruzeiro, que ainda disputará mais uma partida pela Copa Libertadores. Como a liga tupiniquim é a mais disputada do mundo, ainda não podemos fazer um prognóstico seguro com relação aos verdadeiros candidatos ao título. Isto sem falar na tão odiada – para os torcedores - janela de meio de ano, que pode dar novos rumos ao torneio (um bom exemplo disso é o Flamengo do ano passado, que perdeu três jogadores e, conseqüentemente, o campeonato).

Mas, mesmo sabendo que muita água passará por baixo da ponte, podemos apontar uma tendência das associações que brigarão pela ponta. E entre elas, é interessante notar que os dois clubes que postulam em melhor situação, Atlético e Internacional, vivem um longo jejum de conquista do campeonato nacional.

O líder Atlético Mineiro não ganha o caneco desde a sua primeira edição, em 1971. Naquela época, os campeões do gelo contavam com um dos melhores técnicos da história do futebol brasileiro: Telê Santana. Além, claro, do jogador mais folclórico do Brasil: Dadá Maravilha.

Hoje, o Atlético tem um bom time, baseado, fundamentalmente, na força do grupo. No entanto, o elenco é limitado. Algumas posições estão carentes até de titulares, por exemplo, a lateral direita, onde atua o jovem Marcos Rocha, que é reserva do improvisado meio-campista Carlos Alberto. O Galo de 2009, para muitos, será o Botafogo dos últimos nacionais, começando muito bem e perdendo sua força ao longo do torneio. Porém, existem diferenças primordiais entre esses dois clubes. A primeira é o técnico. Quando olho para o banco e vejo Celso Roth, um especialista em montar bons times com recursos escassos, acredito que a história pode, sim, ser distinta, e similar à campanha passada do tricolor gaúcho. Já a segunda é a torcida, um motor que empurra a equipe nos jogos em casa e já detém a maior média de público do campeonato. O alvinegro, a meu ver, é o maior ponto de interrogação do campeonato.

Com o time vivendo o pior momento da temporada, os colorados temem passar o ano do centenário sem um título de expressão. Este ano, o Inter completa 30 anos da última conquista do Campeonato Brasileiro. Ela foi inesquecível, pois foi a única vez que um clube foi campeão brasileiro invicto. O time era recheado de craques como Falcão, Batista, Valdomiro, Mário Sérgio, Mauro Galvão entre outros. Além de ter no comando um dos melhores técnicos das décadas 1970 e 1980: Ênio Andrade.

O time atual, assim como o de 1979, tem o melhor elenco do Brasil. O principal motivo da péssima fase vivida pelo time é a saturação do esquema adotado por Tite. O meio de campo pegador, formado por três volantes e apenas um armador, não consegue mais criar oportunidades de gol – isto devido às más atuações de D’alessandro-, e a defesa, o ponto de equilíbrio do time, agora não suporta um ataque mediano, tenha como exemplo o último jogo. O melhor jogador do clube e do Brasil, Nilmar, vive na eminência de voltar à Europa. Ele almeja tanto o velho continente como os colorados o título brasileiro. Muricy Ramalho atormenta o sono do atual técnico do Internacional, que poderá acordar a qualquer momento desempregado. E isso não é uma brincadeirinha, os títulos perdidos, da Copa do Brasil e da Recopa, só fizeram aumentar a pressão sobre o comandante colorado. Entretanto, com todos esses problemas, o Internacional ainda é o principal candidato ao título.

Foto: Globoesporte.com

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Superação

Ontem, em La Plata, foi canonizado mais um goleiro: São Fábio

No dia 29 de Abril de 2007, um fato inusitado marcou o clássico entre Cruzeiro e Atlético, no Mineirão: Fábio levou um gol de costas. Wanderlei, atacante do Atlético na época, aproveitou a bobeada do goleiro cruzeirense que voltava para o gol sem se perceber que o jogo já havia recomeçado, o atacante atleticano, aproveitando o gol vazio, só empurrou a bola para o fundo das redes. Este lance marcou a carreira do arqueiro. Depois disso, alguns comentaristas e torcedores – principalmente os cruzeirenses - começaram a enxergar o número 1 celeste com maus olhos, sem dá-lo o devido respeito.

Como diz o provérbio: depois da tempestade vem a bonança. A fase ruim de Fábio terminou ai. Nesse jogo, ele ainda se machucou, ficou um tempo fora e sua volta deu início a um período de ouro. Nele, o goleiro além de se transformar em um dos maiores símbolos do futebol eficiente do time mineiro, se tornou o capitão da equipe, o posto de maior confiança do treinador e também da equipe como um todo.

Para quem não acompanha os jogos do Cruzeiro, acha que a partida feita pelo cruzeirense foi um momento isolado de inspiração, um jogo atípico. Mas não é. Fábio está vivendo, nos últimos dois anos, o ápice da sua carreira. A melhora da zaga cruzeirense e do sistema defensivo se dá e muito por causa da segurança passada por ele.

O jogo de ontem coroou um ciclo de muita batalha e superação. Com uma atuação impecável, digna de goleiros excepcionais como Raúl Plassmann e Dida (os dois goleiros campeões da Copa Libertadores da América pelo Cruzeiro, 1976 e 1997, respectivamente), Fábio foi o principal destaque da primeira partida da final da Copa Libertadores, com, pelo menos, três defesas improváveis, ou, como gosta o torcedor, três milagres.

Tenho muito respeito ao Doni, Gomes e ao Victor, mas nenhum deles, pra mim, é melhor ou vive melhor momento que o goleiro do Cruzeiro. E isso não é oportunismo da minha parte, pois quem me conhece sabe que eu sempre fui um admirador do futebol do Fábio. Agora, espero que com estas exibições, Dunga dê mais valor ao arqueiro celeste.

Foto: Reuters

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Cruzeiro está pronto para conquistar a América

O outrora preterido Wellington Paulista agora é o artilheiro e herói do Cruzeiro na Libertadores

Nem a tradição do São Paulo tri campeão da Copa Libertadores, nem a imortalidade do tricolor gaúcho foram páreos para a eficiência tática e técnica do Cruzeiro. Adilson Batista, o técnico mais contestado do mundo, conseguiu armar um time consistente na marcação e eficaz no ataque, que aproveita bem as chances criadas e consegue anular, com muita competência, as principais jogadas dos adversários. Este bom desempenho pode ser ainda mais celebrado se levarmos em conta as baixas do clube celeste, que para este último jogo contra o Grêmio não contava com dez atletas.

O jogo de ontem foi muito corrido e com forte marcação. Os times, embora com muita disposição, não conseguiram produzir muitas oportunidades de gol. O Grêmio, pragmático como sempre, optou pelas bolas aéreas, mesmo erro cometido pelo outro tricolor, o do Morumbi. O setor defensivo do Cruzeiro está bem preparado para esse tipo de jogada, até mesmo porque tem um miolo de zaga muito alto, formado por Leonardo Silva, com quase dois metros de altura, e Thiago Heleno, também muito alto.

O Cruzeiro, com uma eficiência cirúrgica, logo em seu primeiro chute a gol, abriu o placar. Numa bela jogada de Kléber – que no meu ponto de vista, é o melhor jogador da Copa Santander Libertadores – pela ponta direita, passando facilmente por dois marcadores, o atacante deu um belo passe para Wellington Paulista, que, na cara do gol, não desperdiçou. O Grêmio ficou atordoado depois do primeiro gol e poucos minutos depois, Wellington fez mais um, sacramentando a classificação celeste ainda no primeiro tempo.

No segundo tempo, o time do Cruzeiro, com a classificação já assegurada, relaxou e acabou sofrendo dois gols. O segundo deles foi o mais bonito da partida: uma pancada de Souza de fora da área, sem chances para o goleiro Fábio.

É bom salientar que ainda nada está ganho. O Cruzeiro tem pela frente o forte Estudiantes, legítimo tri campeão da Libertadores: 1968, 1969 e 1970. Na fase de grupos os dois clubes se enfrentaram por duas vezes. A partida do Mineirão foi vencida pelo Cruzeiro, 3 x 0, e a de La Plata, pelo Estudiantes, 4 x 0. Embora o confronto seja parelho, acredito em um leve favoritismo para o time de Adilson Batista, que tem um conjunto mais forte e jogadores de rara habilidade, que com um lance podem definir o confronto, neste caso, principalmente, Kléber e Ramires.

Foto: Superesportes

domingo, 28 de junho de 2009

Reflexões sobre a saída de Luxemburgo do Palmeiras

Tostão, em sua coluna do último domingo (21), atentou para a supervalorização dos técnicos no Brasil. E, com certeza, o mais valorizado nessa classe, aqui, é - ou era - Vanderlei Luxemburgo. Informações de bastidores revelam que o seu salário no Palmeiras era algo em torno de R$ 700 mil por mês. Convenhamos, é muito dinheiro para um técnico que não alcança os propósitos planejados.

O maior erro de Luxemburgo - e também da diretoria palmeirense - foi o desmantelamento da equipe de 2008. O elenco foi totalmente reformulado. Os pilares da temporada passada saíram, entre eles estavam Kléber, que, graças a sua dedicação incondicional, acabou virando ídolo; e Alex Mineiro, mesmo oscilando bons e maus momentos, era ele quem colocava a bola para o fundo das redes. Sendo assim, o trabalho realizado no ano passado foi jogado ralo a baixo, por decisão do próprio técnico.

Já que muitos saíram, o mínimo que se esperava era uma reposição no mesmo nível, o que, em determinados setores, não aconteceu. A lateral direita está sem dono e o ataque ganhou um reforço, se é que podemos chamá-lo assim, no mínimo inesperado: Obina. Repetindo o mesmo erro do ano passado, ao contratar o decadente Rock Júnior. Demonstrando que como um maneger, Vanderlei é um bom treinador.

Narcisista como ele só, Luxemburgo além de se achar o melhor técnico do Brasil - pelo menos é o que ele deixa transparecer -, não aceita críticas a seu trabalho. Neste ponto, ele ganhou um rival severo: o torcedor. Uma grande parte da torcida palmeirense, a cada dia que passava, se irritava mais com o treinador, devido às exibições irregulares da equipe.

Belluzzo, mostrando o ótimo economista que é, tratou logo de fazer as contas: um técnico caríssimo somado à eliminação precoce na Copa Libertadores e no Paulista, ao mau rendimento da equipe e ao não alcance dos objetivos traçados para o primeiro semestre. O resultado desse cálculo, todo mundo já sabe.

Com a justificativa de quebra da hierarquia, a diretoria palmeirense demitiu Vanderlei Luxemburgo. Não que não houve uma quebra, mas que isto, no meu modo de ver, não é um argumento plausível para a sua demissão. Na verdade, Luxemburgo demonstrou que não tinha condições de levar este elenco, montado por ele, mais adiante. Ou seja, ele fez, até agora, o que dava para fazer, e as expectativas para o Campeonato Brasileiro não é a das melhores, por isto é melhor trocar o comandante do time para ver se o caminho do título volte à direção do clube palestrino.

Foto: Estado de S. Paulo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Considerações sobre a seleção brasileira

A história poderá ser a mesma de 2005: a seleção ganha a Copa das Confederações, batendo grandes rivais - a Argentina e Alemanha de ontem, deverão ser a Itália e Espanha de hoje –, e os defeitos acabam sendo encobertos pelo título.

A vitória brasileira sobre a Itália era mais do que previsível. Com um elenco envelhecido, sem nenhum grande craque e com dois postes no ataque (Luca Toni e Iaquinta), a Azzurra demonstrou, ainda na primeira fase da competição, uma fragilidade assustadora. A zaga, embora seja o setor mais eficiente da equipe, não conta com a mesma segurança da Copa de 2006; o meio de campo não consegue criar jogadas ofensivas e o ataque, por sua vez, é formado por jogadores de pouca habilidade e que não têm participação ativa nos jogos. Com a decadência da equipe italiana, os torcedores mais antigos lembram de outro vexame, o da Copa de 1966 - e a Coréia do Norte, a protagonista dessa vergonha, já carimbou seu passaporte para a África do Sul.

Claro que o Brasil teve seus méritos. Ninguém massacra a tetra campeã mundial sem ter destaques. Luiz Fabiano está provando que é mesmo o novo camisa 9. Júlio César é unanimidade. Felipe Mello assumiu, com muita personalidade, a vaga de volante. E Dunga que, mesmo com escolhas muito duvidosas, institucionalizou o profissionalismo na seleção. Agora, para vestir a amarelinha, o currículo não tem peso tão grande quanto tinha com o técnico anterior.

Mas os erros ainda estão evidentes. Gilberto Silva está em franca decadência, saiu de um dos principais clubes do mundo, o Arsenal, e foi parar na Grécia. Sua lentidão é de impressionar, e ela prejudica o poder de marcação e a consistência do meio de campo. A lateral esquerda continua sem dono. Kléber e André Santos não convencem. Fábio Aurélio, lateral incontestável num dos maiores clubes do mundo, o Liverpool, só será convocado se Dunga mudar seus conceitos. Atuando com três volantes, apesar de Ramires jogar mais avançado, a criatividade da equipe fica concentrada nos pés de Kaká. Se lembrarmos as partidas das Eliminatórias da Copa contra Colômbia e Bolívia, times que atuaram fechados, o problema da criação de jogadas ficou evidente. Caso aconteça uma lesão com o meio campista madrileno, quem irá substituí-lo? No grupo de hoje, não encontramos nenhum jogador com características similares.

A Espanha será o grande teste para o Brasil. Uma possível vitória poderá, mais uma vez, esconder os pontos falhos da equipe e, acima de tudo, coroar o esquema com três volantes. A derrota, contraditoriamente, seria mais vantajosa. Ao não conquistar o caneco, o técnico provavelmente revisará seus conceitos para a Copa do Mundo.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Quarta de grandes decisões

A melhor equipe catalã de todos os tempos
Copa dos Campeões: O Barcelona colocou o Manchester na roda, literalmente. A partir do primeiro gol de Samuel Eto’o, os Red Devils se renderam a categoria dos espanhóis. O poder de marcação tão famoso da equipe inglesa não foi párea para genialidade de Xavi, Iniesta, Messi e Cia. Vidic, considerados por muitos o melhor zagueiro do mundo, não conseguiu marcar com eficiência como o fez no restante da temporada. O meio de campo de Ferguson, conhecido por dar dinâmica ao jogo, não alimentou o ataque e nem soube marcar os catalões. No entanto, esta derrota não teve culpados, mas sim heróis. Heróis do futebol arte!

Libertadores: O primeiro jogo do clássico brasileiro das quartas de final mostrou o equilíbrio esperado. Um 2 a 1 sem brilhantismo. Ramires, a grande esperança celeste, foi muito bem marcado; Kleber ficou mais tempo deitado do que de pé; Hernanes e Jean estavam preocupados somente em marcar e Dagoberto continua em má fase. Em suma, o resultado foi considerado bom para ambos os clubes. O Cruzeiro leva a vaga se empatar no Morumbi e o Tricolor se classifica com uma vitória simples.

O Grêmio conseguiu um bom resultado ao empatar fora de casa contra o Caracas. O Tricolor Imortal, na verdade, só está esperando o ganhador de Cruzeiro x São Paulo para saber quem ele enfrentará na semifinal.

Copa do Brasil: O Coritiba, surpreendentemente, começou o jogo marcando e saindo bem para o ataque. Marcos Aurélio abriu o placar para o Coxa Branca. O Inter empatou ainda no primeiro tempo. Na etapa final, o Inter conseguiu marcar mais dois graças a uma noite inspirada de Taison e a ajudinha da defesa paranaense que não repetiu a boa marcação do primeiro tempo, o Internacional colocou um pé na final da CB. E olha que o Saci só tem um pé!

Com o Maracanã cheio, mais de 70 mil alvinegros, Vasco e Corinthians fizeram uma grande exibição: com várias situações de gol e grandes defesas dos goleiros. O empate foi um resultado justo, pois os dois clubes procuraram o gol o tempo todo e o equilíbrio foi preponderante. A decisão ficou para o Pacaembu, e por jogar em casa, o Corinthians é levemente favorito.

Foto: ESPN